OAB adverte que novo Código Florestal provoca mais devastação na Amazônia

Ophir defendeu que a legislação florestal brasileira precisa ser modernizada, mas não à custa de uma grande devastação ambiental no futuro próximo

Fonte: OAB

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O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante, fez hoje (04) um alerta sobre o risco de o Brasil provocar "uma devastação brutal" na Amazônia, caso o novo Código Florestal seja aprovado de acordo com a proposta de seu relator, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Ophir defendeu que a legislação florestal brasileira precisa ser modernizada, mas não à custa de uma grande devastação ambiental no futuro próximo. Ele apelou aos parlamentares para "uma profunda reflexão sobre o novo Código, particularmente sobre os percentuais para preservação de áreas amazônicas do Cerrado e Campos Naturais". Ele alertou também para o fato de que as novas normas dão amplos poderes aos municípios para definir zonas de preservação ambiental, dentro de percentuais definidos na lei, alijando completamente a atuação do Ibama nessa área.


A seguir, as declarações do presidente nacional da OAB, advertindo sobre o teor do novo Código Florestal e suas conseqüências danosas sobre o meio ambiente, principalmente na região da Amazônia:


"É inegável que é importante se atualizar a legislação florestal brasileira. A atual é uma legislação que efetivamente já não mais representa a vida que se tem no campo, a postura que se tem que ter em termos de proteção ao meio ambiente. O projeto que será votado hoje na Câmara dos Deputados merece algumas reflexões por parte dos senhores deputados.


O projeto ampliou o conceito anterior de proteção em relação ao bioma amazônico. Ele hoje faz uma proteção à Amazônia Legal, deixando de ser restrito à Amazônia em si e passa a ter um conceito de Amazônia Legal - área que vai do Maranhão até o Tocantins. E cria nesse projeto, em termos de proteção de reservas legais, três faixas: a primeira, diz que 80% da vegetação deve ser objeto de reserva quando se tratar da Amazônia-Floresta; 35% quando se tratar da Amazônia-Cerrado, e 20% quando se tratar da Amazônia-Campos Naturais. Por exemplo, a região Sul do Pará, que vai de Marabá, parte do planalto de Santarém,  até a fronteira de Tocantins e Mato Grosso, agora será uma região caracterizada como de Cerrado e, como tal, somente 30% serão preservados como reservas. Como Campos Naturais, temos dois locais na Amazônia que serão classificados como tal: Estado de Roraima e a Ilha de Marajó, os quais,no caso, teriam somente 20% da área preservados.


A se manter dessa forma os percentuais de 20% e 35% para preservação nas áreas de Cerrado e Campos Naturais, previstos no projeto de Aldo Rebelo (PCdoB-SP), vamos ter em verdade uma devastação brutal na Amazônia. Tomemos o caso de Marajó como campos naturais. Se for permitida a plantação de soja ali, por exemplo, somente 20% da ilha seriam preservados ambientalmente, o que é um desastre para a região. O mesmo acontecerá com a região Sul do Pará e Estado do Tocantins que, uma vez classificados como Cerrado -  onde já  há muito gado e a soja cada vez mais avança -, teriam apenas 35%  de sua área de preservação. Por isso, a OAB considera fundamental que haja uma reflexão por parte dos senhores deputados a respeito desses percentuais. O relator Aldo Rebelo demonstrou muito conhecimento em seus estudos sobre a região Amazônica, dos diversos biomas ali existentes, mas estipulou um percentual de 80% somente para a chamada Amazônia-Floresta, que beneficiará apenas a área conhecida como Cabeça do Cachorro, bem no Norte do Brasil.Com isso, vai-se permitir um desmatamento muito maior e mais avassalador do que acontece até hoje - e que já é preocupante.


Outra questão que preocupa sobremaneira a OAB, dentro do projeto do novo Código Florestal, é o fato de ele dar competência aos municípios para dizer quais são essas faixas percentuais. São os municípios que irão estabelecer que área é Amazônia-Floresta, Cerrado ou Campos Naturais. É temerário dar esse poder aos prefeitos e retirar essa competência do Ibama, que ficará completamente alijado e alienado desse processo decisório. Nós sabemos que a realidade dos municípios hoje, no Brasil, é dominada pelo capital econômico. O poder econômico domina os municípios brasileiros. Então, certamente, quem mandarão são os grandes ruralistas, pois são eles quem mandam nos municípios, que não têm qualquer estrutura para assumir uma responsabilidade dessas. Então, é necessário que se reflita se é uma norma boa essa de delegar aos municípios o poder de autorizar essas licenças ambientais, ou delimitar essas áreas que deverão ser preservadas como áreas de proteção ambiental, a partir do novo Código. Um outro aspecto, que tem sido muito criticado pelo Ministério do Meio Ambiente, é a permissão prevista no Código para que haja produção de alimentos dentro das áreas de proteção ambiental, uma vez definidos esses alimentos como de interesse social. A despeito de se dizer que a produção de alimentos nessas áreas de proetçaõ seriam de interesse social, ou apenas para subsistência, isso pode abrir brechas para que grandes produtores desvirtuarem essas áreas de proteção. Tudo isso é algo que precisa de uma grande reflexão por parte dos deputados".

 

Palavras-chave: Novo Código Florestal; Devastação; OAB; Amazônia; Meio Ambiente

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3 Comentários

JOAO NOVAIS SERVIDOR PÚBLICO04/05/2011 23:05 Responder

Até que enfim a OAB levantou um questionamento coerente, pensando no se humano, e não em seu próprio umbigo. Pois a bem da verdade esse projeto do novo código florestal, apresenta muitos equívocos, discrepâncias e desconhecimento de nosso Bioma, e, de suas utilidades seletivas. Um dos erros principal do projeto são os percentuais de 20% e 35%, se esquecendo de que cada Bioma com suas particularidades têm um fim, uma utilidade ao ser humano, aos seres vivos ao meio ambiente, e a nossa atmosfera. Agora deixar nas mãos das prefeituras, pra que estas as classifiquem, é no mínimo, um absurdo. É castrar o IBAMA em suas atribuições inerentes, é não lembrar a ganância dos agroindustriais, estes só pensam em sua saga de muito, muito dinheiro e lucro, não importando a quem atinja. Estes até parecem estarem ajuntando aqui pra levar pra outro planeta, onde terão novas vidas lá, com muito dinheiro, o resto que se explodam. Sem falar nas prefeituras que não conseguem nem coletar o lixo e o esgoto, e, quanto mais tratá-los. Espero que o congresso abra os olhos, pra coerência legislativa e não se envolva com ladainhas, e balelas de pessoas com pouca ou nenhuma consciência. E que faça já, antes que seja tarde demais. De qualquer forma parabéns a OAB por esta iniciativa, e que insista e livre nos deste erro, que poderá ser fatal. Obr.

FERNANDO WEISS advogado05/05/2011 8:44 Responder

A Amazônia já foi devastada. Devastar mais seria acabar com ela. Só resta, agora, uma saída: fechar a Amazônia por 30 anos, somente permitindo aos brasileiros natos pesquisarem a sua flora, respeitando, evidentemente, a população ribeirinha ou internada que lé já construiram suas famílias. Serrarias, máquinas, caminhões, etc., fora.

tarcísio alencar engenheiro florestal 05/05/2011 9:23

O senhor conhece a Amazônia? Com certeza não, pois, falar que já foi devasta é um exagero. Só para registro, é da floresta Amazônica que sai um dos maiores índices de CO2 em função de sua floresta ter árvores muito velhas e suas sombras impedirem a proliferação de vegetação nova. Existem por lá espaço que não só podem, como devem ser remanejados, a não ser que se goste de doenças tropicais e gás carbônico. O que difere o homem dos animais é o raciocínio e a tecnologia que deve ser usada, inclusive, para melhorar o meio ambiente natural.

Adir Claudio Campos Advogado05/05/2011 11:26 Responder

Parabéns pelo esclarecimento, engenheiro Tarcísio. Muita gente anda falando de meio ambiente apenas o que ouviu dizer, sem ter a menor noção do assunto. Tem muito político demagogo pegando carona nessa onda de preservação ambiental e falando asneira. Tem muita gente bem intencionada, por outro lado, que precisa aprender a ouvir mais opiniões. Se formos levar em conta alguns disparates que andam propagando, teríamos que nos mudar para a Lua.

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