Mais dinheiro e bom dia?

Helio Estellita Herkenhoff Filho é Analista Judiciário do TRT-17ª Região (gab. Juiz) , Ex-Professor da UFES.

Fonte: Helio Estellita Herkenhoff Filho

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Helio Estellita Herkenhoff Filho ( * )

Não é de hoje que as pessoas reclamam que já não se fala mais que um bom dia ao se encontrar com um vizinho de porta, num edifício de apartamentos.

Ou seja, já há algum tempo em que tem preponderado a correria em circuito fechado, com curto-circuito e sem a ciranda de mãos dadas e sob o famoso "atirei o pau no gato, to..."

O que está acontecendo? Mudança de valores, mas com surgimento, ainda, apenas, do lado podre da moeda?

Quem não entende (que jovem é novidade) fica vendo a "banda passar", criticando com base em falsa moralidade (pleonasmo!). Limita-se, no máximo, a constatar e, logo, pega-se a gripe da águia que achava que era galinha (do conto de Leonardo Boff).

A liberdade é o que traz felicidade. Então, o que se busca é saber qual liberdade a juventude quer. Responde-se: o desejo está na frente do dever, socialmente digno de nota.

Surge a questão da identificação com o outro (ou da inclusão migrante entre tribos - aqui, um detalhe interessante: a garotada anda em grupos, sem restrição ao núcleo familiar. Não cabe aos jovens o verso de música dos titãs: "as idéias estão no chão/você tropeça e acha a solução")

Onde está o dinheiro? É atrativo? Dias desses, foi dito que o melhor amigo do homem é o cachorro, exatamente, porque não sabe o valor que tem o dinheiro.

Uma coisa é certa: não se pode mais dizer que o homem é por natureza um ser social e que sozinhos podem viver apenas os animais, os filósofos e Deus. Ah, tem muita gente correndo atrás de Deus! Os animais, hoje, muitos deles estão domesticados! Os filósofos. Ah os filósofos! Em fim deixaram a torre de marfim. Vieram ao mundo para buscar reflexões concretas, visando avanço rumo à felicidade.

Duas impressões sobre o movimento atual dos jovens; 1- buscam a liberdade por si mesma (sem limite); 2- sempre buscam a liberdade (insuficiência).

Não se pode negar que os jovens têm sido bombardeados com idéias de que não há futuro. Ou, se há, será uma desgraça, porque eles não querem nada com nada.

Ou seja, inverte-se a ordem cronológica das idéias. O correto seria: 1º- mensagem ruim sobre o futuro; 2º- os jovens não querem nada com nada.

Chegou o momento de se pensar um pouco sobre esse "não querem nada com nada".

Em termos lógicos é fácil: quem não quer nada, quer algo que seja diferente do zero.

Uma primeira aproximação: pensam sim em serem reconhecidos e acolhidos pela sociedade, mas querem que as diferenças existam e sejam respeitadas, sendo certo que não pretendem receber "passado amarrotado", da geração precedente, que deixou rastro de sangue e destruição. A "palavra de ordem" se torna verbo: "continuar", mas com mudanças, portanto: "viver".

Felicidade. Essa é a palavra que expressa o desejo dos jovens de todos os tempos.

Bom, há restrições que aparecem no caminho deles e algumas são tão úteis como mascar chicletes.

Bom. Se conselho fosse bom seria vendido, pois a idéia, em moda, não é valorizar o humanismo, mas o econômico (o pior é que tem empresa que mascara isso com marketing ecológico e social)

Oscar Wilde, no conto "o pescador e a sereia", narra a história de um pescador que ganha dinheiro exercendo o seu mister até encontrar uma sereia por quem se apaixona.

Só que a sereia responde ao pedido de casamento, dizendo que só aceitaria se o pescador viesse sem a alma.

O dramaturgo com isso quis dizer que a alma por si só não vale muita coisa. A que dá em todo lugar não tem o valor do ouro que é raro.

Evidenciou-se, no conto, que é preciso amor para se "casar". Parodiando, seria possível dizer que os jovens precisam do tempo deles para viver e deixar viver (eis a expressão da liberdade que rima com a convivência possível). E esse tempo demanda a possibilidade de construírem em horizonte que permita a imaginação fluir.


Notas:

* Helio Estellita Herkenhoff Filho é Analista Judiciário do TRT-17ª Região (gab. Juiz) , Ex-Professor da UFES. [ Voltar ]

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