Congresso retoma atividades sem ter resolvido disputa pelas presidências da Câmara e do Senado

BRASÍLIA - O Congresso Nacional retoma as atividades nesta semana sem ter resolvido o seu principal problema: a queda-de-braço pelo comando das presidências da Câmara e do Senado.

Fonte: O Globo

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BRASÍLIA - O Congresso Nacional retoma as atividades nesta semana sem ter resolvido o seu principal problema: a queda-de-braço pelo comando das presidências da Câmara e do Senado. Durante o recesso, o governo tentou fechar um acordo para arquivar definitivamente a emenda da reeleição. Não deu certo.

Além dessa disputa, que está rachando ao meio a base governista, a oposição vai utilizar os holofotes de Brasília para colocar na pauta do Congresso dois temas com grande potencial de desgaste ao Planalto: a denúncia de que o Banco do Brasil contribuiu para um show, cuja renda foi revertida ao PT, e a notícia de que os presidentes do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, e do Banco do Brasil, Cássio Casseb, não declararam à Receita Federal movimentações financeiras no Brasil e no exterior.

No vôo que faz no fim da manhã desta segunda-feira, de São Paulo a Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve colocar esses assuntos em pauta com o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP). O presidente quer fazer uma avaliação política das principais pendências no Congresso.

Durante a viagem que fez à África, na semana passada, Lula externou para interlocutores sua preocupação com a divisão na base aliada, principalmente no Senado. Ele chegou a lembrar que, no primeiro semestre, o Planalto sofreu derrotas importantes, como a votação da medida provisória do salário-mínimo, e afirmou que estava na hora de formar uma maioria segura no Senado.

Nas avaliações de ministros próximos, Lula gostaria de colocar um ponto final na disputa pela reeleição, descartando o projeto de emenda constitucional que está na Câmara dos Deputados. Mas teme ser forçado a entrar na disputa por uma exigência dos presidentes do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e da Câmara, deputado João Paulo Cunha (PT-SP).

- A nossa estratégia é reforçar a base de sustentação no Senado. Em relação à disputa pela presidência do Senado, isso é de competência do PMDB. Mas vamos trabalhar para construir um entendimento e não dividir o PMDB. Temos que apostar na unidade do partido para o processo sucessório. Já a Câmara é um problema da articulação política do Planalto - observou o senador Aloizio Mercadante.

Tanto cuidado não é por acaso. Durante o recesso, Mercadante almoçou com o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), em São Paulo. Em pauta, a reeleição e a tentativa de um entendimento. Ele chegou a tentar um contato com Sarney, que estava na Europa, mas não conseguiu. Na avaliação do governo, um racha no PMDB no Senado pode ser fatal para votar matérias importantes.

O próprio Mercadante coloca como prioridades para este período a votação do projeto das Parcerias Público-Privadas e a Lei de Biossegurança.

Para tentar fechar um entendimento, o presidente Lula e o chefe da Casa Civil, José Dirceu, devem marcar uma reunião com a bancada do PMDB no Senado ainda na primeira quinzena de agosto. Foi um pedido de Renan. Não por acaso. O líder peemedebista sabe que o seu nome tem o veto de Dirceu para ocupar a presidência do Senado no lugar de Sarney.

- O presidente Lula me deu a palavra que o governo não colocaria a emenda da reeleição em pauta novamente. O PMDB não abre mão de escolher a indicação do próximo presidente do Senado. O partido conquistou esse direito nas urnas, já que é a maior bancada - alerta Renan Calheiros.

Mas os líderes aliados na Câmara são unânimes na avaliação de que João Paulo está disposto a colocar novamente a reeleição em pauta até setembro. Durante o recesso, Sarney chegou a declarar que estava fora da disputa. Mas mandou recados ao Planalto de que não estava satisfeito com o tratamento recebido do governo. Lula teve que agir para não gerar nova crise e enviou interlocutores que garantiram ao presidente do Senado que o Planalto não estava contra ele.

Preocupado com o conflito na base, o governo começa a preparar um plano B: fortalecer ao máximo o PTB na Câmara e até mesmo no Senado. Isso porque é um partido que tem se mostrado mais confiável. O Planalto teme ficar na mão de um PMDB em frangalhos.

O presidente Lula sabe que mais do que nunca vai precisar de uma tropa de choque no Senado, principalmente na volta do recesso. Diferentemente do que se imaginava, o noticiário durante o recesso parlamentar trouxe denúncias contra o governo e o PT. A oposição promete cobrar explicações ao tesoureiro do PT, Delúbio Soares, sobre a sua influência no Banco do Brasil para conseguir patrocínios ao show cuja renda serviu para o partido comprar a sede própria. Também estão na mira de tucanos e pefelistas Henrique Meirelles e Cássio Casseb, principalmente depois das novas denúncias trazidas pelas revistas neste fim de semana.

- Acho que o governo está blindado com um coquetel de fatos de corrupção, o Banco do Brasil com lavagem de dinheiro para compra de sede do PT e o repeteco com Casseb e Meirelles - disse o líder do PFL no Senado, José Agripino Maia (RN).

Agripino confirma que essas denúncias vão tomar conta da primeira semana de reabertura dos trabalhos no Congresso. Os presidentes do BC e do BB devem ser convocados para esclarecimentos na Comissão de Fiscalização e Controle do Senado e na CPI do Banestado.

- O governo está num torvelinho de corrupção, ou toma uma medida drástica ou sua imagem ficará comprometida. O governo não tomou as medidas na hora certa. Está fazendo tudo por pressão da imprensa e isso mostra que o governo só age sob pressão - atacou Agripino.

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