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Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1980-4288

Cabral é acusado de receber US$ 3 milhões de propina intermediada por Juca Bala, diz MPF

Dupla e mais 7 foram denunciados por lavagem de dinheiro, corrupção e crime contra o sistema financeiro nacional. É a 6ª denúncia contra o ex-governador.

Fonte: G1

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Ex-governador Sérgio Cabral. Reprodução: fotospublicas.com

O Ministério Público Federal (MPF) fez mais uma denúncia — a sexta — contra o ex-governador do Rio Sérgio Cabral. Foi denunciado também o doleiro brasileiro preso no Uruguai Vinícius Claré, conhecido como Juca Bala, e mais oito pessoas do grupo do ex-governador do Rio, como mostrou o RJTV desta quarta-feira (8).


A denúncia é um desdobramento da Operação Eficiência, que prendeu o empresário Eike Batista e investiga crimes de lavagem de dinheiro de US$ 100 milhões – o equivalente a mais de R$ 300 milhões. Os valores foram distribuídos em 10 contas em paraísos fiscais no exterior. A denúncia do MPF vai ser analisada pelo juiz da 7ª Vara Federal Criminal, Marcelo Bretas.


O MPF acusa Juca Bala e o sócio dele, Claudio de Souza, conhecido como Tony ou Peter, de serem os doleiros que ajudaram a movimentar esse dinheiro no esquema chefiado por Sérgio Cabral.


Os investigadores dizem que Juca Bala e Claudio movimentaram ao menos US$ 85 milhões desviados dos cofres do Estado do Rio. De acordo com o MPF, os doleiros integram organização criminosa e tinham contato estreito com a empresa Odebrecht.


Além de enviar dinheiro para o exterior, os procuradores descobriram que Vinicius Claret e Claudio de Souza também traziam recursos de fora para o Brasil. Segundo a denúncia, entre 2011 e 2014, eles fizeram com que US$ 3 milhões de propina da Odebrecht viessem de offshores da construtora para as mãos do ex-governador.


Sexta denúncia


Denunciado pela sexta vez, Cabral já é réu em três processos da Lava Jato e está preso, desde novembro de 2016, no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio.


Além do ex-governador do Rio, também foram denunciados Vinicius Claret, Claudio de Souza e outras seis pessoas. Entre elas, está o ex-secretário de governo, Wildon Carlos, o operador financeiro do esquema, Carlos Miranda, e os irmãos doleiros Renato e Marcelo Chebar.


Eles são acusados pelos crimes de corrupção passiva, organização criminosa contra o sistema financeiro nacional e de lavagem de dinheiro. Claret foi acionado pelos irmãos Chebar para ajudar a movimentar o grande volume de dinheiro de Cabral no exterior.


Juca Bala e Claudio foram presos no Uruguai na última sexta-feira (3). Eles estavam na difusão vermelha da Interpol, a polícia internacional, e foram presos em ação conjunta da polícia do Uruguai com a Polícia Federal brasileira.


Contato com a Odebrecht


Antes da prisão dos doleiros, os repórteres Carlos de Lannoy e Arthur Guimarães foram até o balneário uruguaio de Punta del Este e descobriram o paradeiro de Juca Bala. Lá, ele aparece como sócio no contrato de criação da Paddle Board Uruguay. A empresa faz importação, exportação, representação e venda de material esportivo.


Uma reportagem do Jornal Nacional mostrou que Juca Bala não usava o número de telefone preso na porta da loja dele apenas para vender pranchas. Era também o contato do doleiro com o setor de operações estruturadas da Odebrecht, mais conhecido como departamento de propina.


O número do celular da loja de pranchas é o mesmo que aparece na agenda de Maria Lúcia Tavares, ex-secretária da Odebrecht que, em acordo de delação, ela revelou como funcionava o esquema de propina na empreiteira.

Palavras-chave: Operação Lava Jato Odebrecht Propina Corrupção Lavagem de Dinheiro Operação Eficiência

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