Criminalidade x Estagnação econômica

Cláudio da Silva Leiria, Promotor de Justiça em Guaporé/RS. E-mail: claudioleiria@hotmail.com

Fonte: Cláudio da Silva Leiria

Comentários: (0)




A queda dos níveis de criminalidade - especialmente da violenta - pode impulsionar o crescimento econômico. Em sentido contrário, o aumento da criminalidade traz como uma das suas perversas conseqüências a estagnação da economia.

Segundo economistas do Banco Mundial, países como o Brasil têm perda de até 08% do seu PIB (Produto Interno Bruto) em razão da criminalidade. Em vez de simplesmente fabricarem seus produtos, empresas se obrigam a gastar recursos na prevenção da violência e na proteção de seus empregados e de sua propriedade - por exemplo, seguros, muros mais altos, grades, carros blindados, segurança privada, câmeras de vigilância, cercas elétricas, sistemas de rastreamento por satélite para veículos, etc.

Para ilustrar uma perda em razão da criminalidade, mencione-se aqui um delito corriqueiro, do qual o Brasil é o 'campeão mundial': o de roubo de cargas em rodovias. As perdas são em cadeia: perde quem vende, quem transporta, quem segura e quem deixa de vender porque não recebeu a mercadoria.

Conforme notícia veiculada no caderno Economia e Negócios do jornal Estado de São Paulo em 18/10/2006, no Brasil, se o índice de homicídios no início da década de 1990 tivesse sido tão baixo como o da Costa Rica, que tem um dos índices mais baixos da região, com um sexto da taxa brasileira, a renda per capita teria sido US$ 200 maior e o Produto Interno Bruto (PIB) seria de 3,2% a 8,4% mais alto no fim da década de 1990, segundo um relatório elaborado pelo Banco Mundial para o governo brasileiro em setembro e divulgado pelo The New York Times.

Elevadas taxas de criminalidade também fazem com que cidades deixem de atrair investidores, afastando negócios e pessoas, especialmente aqueles empreendedores de talento, os quais efetivamente alavancam o progresso.

Pense-se também que cidades violentas também afastam turistas. São muitas as pessoas que deixam de fazer turismo para a cidade do Rio de Janeiro e algumas capitais de estados nordestinos, intimidados pela onda de criminalidade violenta.

É fato induvidoso que pessoas dispostas a fazer investimentos sempre consideram a criminalidade local. Se o empresário ficar receoso de investir em uma cidade porque tem considerável temor de seqüestros ou outras formas de criminalidade violenta é provável que vá investir em outro local, inclusive no exterior. Não são poucos os brasileiros vítimas de extorsão mediante seqüestro que, traumatizadas com o fato, decidiram fixar residência nos EUA e países europeus.

A perda de capital humano pode trazer severas conseqüências. Lembre-se aqui que nas décadas de 70 e 80 muitas cidades americanas, pelo fato de a violência ter fugido ao controle, perderam pessoas qualificadas, que foram trabalhar e investir em outros locais. Essas cidades 'penam' até hoje, tendo se tornado centros de pobreza e de pessoas desqualificadas, incapazes de reverter a estagnação econômica.

As soluções do problema passam por investir efetivamente em educação - as chances de homens jovens se envolverem em delitos é menor quando estão empregados; de idêntica forma, jovens que se encontram na escola são menos propensos à prática de atos infracionais - e, especialmente, na segurança pública, também devolvendo, por leis necessárias, um maior poder repressivo ao Estado, para que possa combater eficazmente a criminalidade.


Palavras-chave:

Deixe o seu comentário. Participe!

noticias/criminalidade-x-estagnacao-economica

0 Comentários

Conheça os produtos da Jurid