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Segunda-feira, 21 de Agosto de 2017
ISSN 1980-4288

Empreiteiro diz ao TSE que ‘tesoureiro informal’ do senador Aécio Neves pediu doação

Polícia Federal resgatou troca de mensagens de 29 de agosto de 2014 pelo celular entre delator da Andrade Gutierrez e o empresário Oswaldo Borges.

Fonte: Estadão

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Senador Aécio Neves. Reprodução: fotospublicas.com

Em depoimento na ação movida pelo PSDB que pede a cassação da chapa Dilma-Temer, eleita em 2014, o ex-presidente da Andrade Gutierrez e delator Otávio Marques de Azevedo confirmou ter se encontrado com o empresário e ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) no governo Aécio Neves (PSDB) em Minas Oswaldo Borges da Costa para tratar de doação eleitoral para a campanha presidencial do tucano naquele ano.


O executivo depôs no dia 19 de setembro perante o ministro do Tribunal Superior Eleitoral Herman Benjamin, relator do processo na Corte. Ao explicar sobre como eram feitas as doações eleitorais da empreiteira, Otávio também foi indagado sobre repasses a outros partidos e políticos. Ele admitiu que todas as doações eleitorais saíam do mesmo caixa da empresa e, em relação ao PSDB, disse que se encontrou com Oswaldo.


Segundo o jornal Folha de S.Paulo e a revista Veja, Borges da Costa foi citado pelo empreiteiro José Adelmário Pinheiro Filho, Leo Pinheiro, da OAS, em sua delação como intermediário de propinas na construção da Cidade Administrativa, obra mais cara do governo Aécio – que custou R$ 1,2 bilhão. O ex-presidente da Codemig foi apontado como “operador” ou “tesoureiro informal” de Aécio, conforme as reportagens.


Em 2014, segundo dados declarados à Justiça Eleitoral, a Andrade doou R$ 21 milhões para a campanha de Dilma e R$ 20 milhões para a de Aécio. Oficialmente, o coordenador financeiro de Aécio foi o ex-ministro José Gregori. Em nota, o PSDB informou que Borges da Costa atuou na campanha de 2014 “apoiando o comitê financeiro”.


Em 2014, segundo dados declarados à Justiça Eleitoral, a Andrade doou R$ 21 milhões para a campanha presidencial de Dilma e R$ 20 milhões para a campanha de Aécio.


Oficialmente, o coordenador financeiro da campanha de Aécio foi o ex-ministro José Gregori. Em nota, o PSDB informou que Oswaldo atuou na campanha de 2014 “apoiando o comitê financeiro” ao lado do também empresário Sérgio Freitas.


O partido aponta ainda que ‘não houve nenhuma irregularidade em todo o processo de doação’. A sigla, porém, não respondeu por que havia outras pessoas além de  José Gregori atuando na campanha para arrecadar recursos.


“Fui procurado pelo senhor Oswaldo Borges da Costa, também, que era…trabalhava não sei em que função lá, com o candidato (Aécio Neves). E, basicamente, essas demandas (de doação) vinham através deles”, afirmou o empresário sem se lembrar qual outro nome ligado ao PSDB o teria procurado.


Questionado pelo advogado Flávio Caetano, da campanha de Dilma, o executivo disse que só encontrou o empresário uma vez e apenas para comunicar que teria feito uma doação para a campanha de Aécio. O contato de Otávio com Oswaldo, inclusive, foi identificado pela Polícia Federal em trocas de mensagens no celular do executivo da Andrade.


O próprio empreiteiro confirmou que as mensagens trocadas, durante o período eleitoral em agosto de 2014, se referiam à doação para a campanha tucana e que “coincidentemente”, segundo o executivo, foi feita no mesmo dia em que a empresa fez um repasse para a campanha da chapa Dilma-Temer.


As trocas de mensagens chamaram a atenção da Polícia Federal ao analisar o celular de Otávio Azevedo, em 2015. Em uma mensagem encaminhada por celular no 27 de agosto, Oswaldo pergunta a Otávio se era possível “falar na quinta às 19h em SP”.


Dois dias depois, Otavio responde: “Já foi feito”. Oswaldo agradece no mesmo dia: “Obrigado Otavio. Com vc funciona!!!rsrs”.


A PF suspeita que Oswaldo seria uma espécie de “tesoureiro informal” da campanha tucana e chamou a atenção dos investigadores o fato de as mensagens trocadas com o empresário ocorrerem no mesmo dia em que Azevedo confirmou doação para a campanha de Dilma Rousseff, por meio do chefe de gabinete do então tesoureiro da petista, Edinho Silva.


Apesar de ter doado quantias próximas para as campanhas de Dilma e Aécio, ao TSE, Otávio afirmou que, em relação as doações para o tucano não havia nenhuma vinculação com obras ou projetos da empresa.


“Nós não tínhamos nenhum projeto com o candidato Aécio, nenhum projeto, nenhuma…nada em execução, nada, nada, nada. Não tínhamos compromisso, em 2014, pelo menos que eu saiba, nenhum compromisso que levasse a uma doação…é…vinculada a obra, a projeto, não existiu isso. Não existiu isso”, afirmou Otávio Azevedo.


Ele também reafirmou ao ministro Herman Benjamin que houve um acerto de propinas equivalente a 1% de todos os contratos da Andrade com o governo federal e também com o PMDB e com o PT referente às obras da usina de Belo Monte. Questionado se as doações eleitorais de 2014 foram descontadas desse acordo da propina ele negou e disse que apenas uma doação para a campanha de Dilma, em julho de 2014, “certamente” veio dos acordos de propina.


“Não havia – não havia e não há; não houve, não houve – em nenhuma momento uma contabilidade paralela para dizer: esse tanto de dinheiro aqui é do…é…é….é….é..é…é…é do PT Berzoini (ex-ministro que, segundo Otávio, teria cobrado 1% de propina em todos os contratos da Andrade com o governo), esse aqui é do PT Palocci, esse aqui é do PT Dilma…não é assim… do PT Vaccari…não. É do PT. É do PT.


Então, é…não…não existia, não há como você, dentro do caixa, nem…nem…nem que esse dinheiro aqui é do PT e esse aqui é do PSDB”, disse Otávio.


“Agora, o único que eu…que eu…o…o único assim que certamente veio de origem dessa…dessa…dessa, vamos dizer, desse…desses pedidos, desses acordos firmados com o Berzoini e com o Palocci, assim, carac…bem caracterizado, é esse um milhão”, seguiu o executivo.


A reportagem tentou contato pelo celular com Oswaldo, mas as ligações caiam na caixa postal. O espaço está aberto para a manifestação do executivo.


COM A PALAVRA, A ASSESSORIA DO PSDB NACIONAL:


“O sr Oswaldo Borges atuou na campanha eleitoral do PSDB em 2014 – ao lado do sr Sérgio Freitas e tendo sido o ex-ministro José Gregori coordenador financeiro – , apoiando o comitê financeiro, sendo esse um fato de amplo conhecimento público, não havendo nele nenhum tipo de incorreção.


Não foi apontada qualquer irregularidade em todo o processo. Quanto ao posto de “tesoureiro informal” ele simplesmente não existe já que todos os contatos realizados foram formais.


O próprio empresário no depoimento confirma a regularidade dos contatos mantidos com a campanha, assim como das doações realizadas, todas elas declaradas à Justiça Eleitoral.


“SENHOR OTÁVIO MARQUES DE AZEVEDO (depoente): Simplesmente é você ter ou não ter compromisso vinculado. Nós não tínhamos com o candidato Aécio nenhum projeto, nenhuma… nada em execução, nada, nada, nada. Não tínhamos nada, não tínhamos compromisso, em 2014, polo menos que eu saiba, nenhum compromisso que levasse a uma doação… é… vinculada a obra, a projeto, não existiu isso. Não existiu isso.” Trecho depoimento do sr Otávio Azevedo ao ministro Herman Benjamin (PAG. 27)”

Palavras-chave: PF Andrade Gutierrez Aécio Neves "Tesoureiro Informal" Doação TSE Campanha Eleitoral

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