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Sexta-feira, 18 de Agosto de 2017
ISSN 1980-4288

Delator da Odebrecht, ex-diretor cita doações não declaradas a mais de 30 políticos

Em pré-delação, ex-diretor da empreiteira indicou valores e como foram repassados recursos a políticos com o objetivo de beneficiar a empresa.

Fonte: G1

Comentários: (1)


Reprodução: fotospublicas.com

Em informações prestadas ao Ministério Público Federal (MPF) para a assinatura de acordo de delação premiada, o ex-diretor de relações institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho apresentou valores repassados a políticos com a finalidade de obter vantagens para a empreiteira.


O depoimento, que veio a público na sexta-feira (9), traz nomes, valores, circunstâncias e motivação dos repasses. Parte dos recursos foi paga por meio de doações eleitorais oficiais, mas também há registro de propina e de caixa 2.


Em alguns casos, como o dos senadores Romero Jucá (PMDB-RR) e Renan Calheiros (PMDB-AL), o dinheiro era entregue a uma pessoa, mas serviria para abastecer um grupo dentro do partido. Em outros casos, não é possível identificar se a doação foi oficial.


Cláudio atuava na relação da Odebrecht com o Congresso Nacional. Segundo ele, alguns pagamentos eram feitos para garantir a aprovação de projetos de interesse da empreiteira. Na pré-delação, ele citou 51 políticos de 11 partidos.


Veja os nomes dos políticos que Cláudio Melo Filho disse que receberam doações não declaradas, os valores e a situação do pagamento. Também confira o que cada um disse sobre as acusações:


– Adolfo Viana (PSDB-BA), deputado estadual. Valor: R$ 50 mil, não declarados.


O deputado estadual da Bahia Adolfo Viana disse que não conhece Cláudio Melo Filho e que todas as doações que recebeu foram declaradas à Justiça Eleitoral.


– Aécio Neves (PSDB-MG), senador. Pediu R$ 1 milhão para o DEM, não declarados.


O presidente do PSDB, senador Aécio Neves, afirmou que todos os pedidos de doações feitos pelo partido em 2014 se deram exclusivamente dentro da lei.


– Anderson Dornelles, ex-assessor de Dilma Rousseff. Valor: R$ 350 mil, não declarados.


O ex-assessor de Dilma, Anderson Dornelles, negou as acusações. Ele disse que nunca se reuniu na sede da Odebrecht nem solicitou ou recebeu qualquer ajuda financeira. Negou ainda que tenha autorizado qualquer pessoa a fazer isso em nome dele.


– Antonio Brito (PSD-BA), deputado federal. Valor: R$ 100 mil não declarados, R$ 200 mil indefinidos e R$ 130 mil declarados.


O deputado federal Antonio Brito não atendeu as ligações do G1.


– Arthur Maia (PPS-BA), deputado federal. Valor: R$ 250 mil não declarados e R$ 350 mil declarados.


"Todas as doações que recebi da Odebrecht constam na minha prestação de contas e foram devidamente declaradas ao TSE e, portanto, aconteceram rigorosamente dentro dos parâmetros legais", afirmou o deputado federal Arthur Maia.


– Arthur Virgílio (PSDB-AM), prefeito eleito de Manaus. Valor: R$ 300 mil não declarados.


O prefeito eleito de Manaus, Arthur Virgílio, do PSDB, negou que tivesse recebido doação por caixa 2. Ele disse que todas as doações da Odebrecht foram declaradas à justiça eleitoral.


– Ciro Nogueira (PP-PI), senador. Valor: R$ 300 mil não declarados e R$ 1,8 milhão declarados.


O senador Ciro Nogueira disse que as doações recebidas pelo partido foram legais e sempre devidamente declaradas à justiça eleitoral.


– Colbert Martins (PMDB-BA), ex-deputado federal. Valor: R$ 150 mil não declarados e R$ 441 mil declarados.


O ex-deputado Colbert Martins negou que tenha recebido quantias não declaradas da Odebrecht ou de qualquer outra empresa. “Tudo que tem nas minhas contas eleitorais foi declarado. Nenhum tipo de omissão foi feita. As contas foram apreciadas e aprovadas. Tudo que eu recebi eu declarei."


– Daniel Almeida (PCdoB-BA), deputado federal. Valor: R$ 100 mil não declarados.


Daniel Almeida negou recebimento via caixa 2 e disse que todas as doações para suas campanhas foram legais.


– Delcídio do Amaral (sem partido-MS), ex-senador. Valor: R$ 500 mil não declarados.


A defesa do ex-senador Delcídio do Amaral disse que as informações são especulativas, não oficiais e sem credibilidade.


– Duarte Nogueira (PSDB-SP), deputado. Valor: R$ 350 mil não declarados e R$ 300 mil declarados.


Duarte Nogueira, prefeito eleito de Ribeirão Preto, afirma que todas as doações recebidas em suas campanhas eleitorais de 2010 e 2014 – por empresas ligadas ao grupo Odebrecht ou repassadas pelo Diretório Estadual do PSDB – foram regularmente declaradas e aprovadas pelo TSE.


– Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ex-deputado federal. Valor: R$ 10,5 milhões, não determinado.


A defesa de Eduardo Cunha disse que só vai se manifestar depois que tiver acesso à delação e que ela deveria ter seu sigilo resguardado.


– Eliseu Padilha (PMDB-RS), ministro-chefe da Casa Civil. Valor: R$ 10 milhões a pedido de Temer, não determinado.


Eliseu Padilha afirmou que a acusação é “mentirosa” e que nunca tratou de arrecadação para deputados ou para que quer que seja.


– Eunício Oliveira (PMDB-CE), senador. Valor: R$ 2,1 milhões não declarados.


O líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira, disse "que todos os recursos arrecadados em suas campanhas foram recebidos de acordo com a lei e aprovados pela Justiça Eleitoral". Ele ainda disse que "nunca autorizou ninguém a negociar recursos em seu nome em troca de favorecimento à qualquer empresa".


– Francisco Dornelles (PP-RJ), vice-governador do Rio de Janeiro. Valor: R$ 200 mil não declarados.


O vice-governador do Rio, Francisco Dornelles, enviou uma nota afirmando que todas as doações eleitorais recebidas pelo Partido Progressista foram feitas de acordo com a legislação eleitoral e aprovadas pela Justiça.


– Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), ex-ministro da Secretaria de Governo. Valor: R$ 1 milhão não determinados, R$ 1,5 milhão não declarados e R$ 2,380 milhões declarados.


Geddel Vieira Lima disse que acha estranho o nome dele estar na delação, já que todas as doações da Odebrecht à campanha dele foram declaradas à Justiça Eleitoral.


– Gim Argello (PTB-DF), ex-senador. Valor: R$ 1,5 milhão não determinados, R$ 300 mil declarados e R$ 1 milhão não declarados.


O G1 conversou com o responsável pela defesa do ex-senador Gim Argelo na manhã desta segunda-feira (12). O advogado Marcelo Bessa preferiu não comentar as declarações de Cláudio Melo Filho.


– Heráclito Fortes (PSB-PI), deputado. Valor: R$ 200 mil não declarados e R$ 50 mil declarados.


A assessoria do deputado Heráclito Fortes disse que ele recebeu contribuições legais e já aprovadas pela justiça eleitoral, sem qualquer vinculação com propina.


– Hugo Napoleão (PSD-PI), ex-senador. Valor: R$ 100 mil declarados e R$ 100 mil não declarados.


A assessoria do ex-senador Hugo Napoleão disse que enviaria nota comentando as acusações de Cláudio Melo Filho.


– Inaldo Leitão, ex-deputado. Valor: R$ 100 mil não declarados.


Segundo o jornal "O Globo", o ex-deputado Inaldo Leitão disse em um perfil nas redes sociais que nunca teve relação de negócios com a Odebrecht e que não atuou em interesse da empresa.


– Jaques Wagner (PT-BA), ex-ministro. Valor: R$ 3 milhões não determinados e R$ 7,5 milhões não declarados. Cláudio Melo diz acreditar que foram repassados R$ 10 milhões para a candidatura do governador da Bahia, Rui Costa, em 2014, a pedido de Wagner.


O ex-ministro Jaques Wagner não retornou os contatos da TV Globo.


– José Agripino (DEM-PI), senador. Valor: R$ 1 milhão, a pedido de Aécio Neves, não determinados.


José Agripino disse que desconhece e repele as acusações.


– José Carlos Aleluia (DEM-BA), deputado federal. Valor: R$280 mil declarados e R$ 300 mil não declarados.


O deputado José Carlos Aleluia disse ao G1 que "todos os valores recebidos estão declarados em minhas prestações de contas à Justiça Eleitoral”. Também há um comunicado no site do deputado, que diz que, em 2010, a legislação não exigia que o candidato especificasse em sua prestação de contas o nome do doador original ao partido, como passou a ser feito a partir de 2014.


– Jutahy Magalhães (PSDB-BA), deputado federal. Valor: R$ 350 mil sem declaração e R$ 500 mil declarados.


O deputado federal Jutahy Magalhães negou acusações: “Não tive doação de caixa 2 da Odebrecht em 2010 para minha campanha. Recebi oficialmente pelo partido e está registrado no TSE. Esta é a verdade”


– Lídice da Mata (PSB-BA), senadora. Valor: R$ 200 mil não declarados.


Em nota, a senadora Lídice da Mata negou as acusações. "Não tenho e nunca tive qualquer tipo de negócios com a Odebrecht ou qualquer outra empresa. Todas as doações de campanha que recebi foram dentro da legalidade e devidamente declaradas conforme pode ser comprovado na prestação de contas disponível no site do TSE / TRE-BA."


– Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), deputado federal. Valor: R$ 400 mil declarados e teria recebido R$ 1,5 milhão não declarados.


O deputado Lúcio Vieira Lima afirmou que todas as doações da sua campanha "estão declaradas na prestação de contas do [Tribunal Superior Eleitoral] TSE”.


– Marco Maia (PT-RS), deputado federal. Valor: R$ 1,35 milhão não declarados.


O deputado Marco Maia refutou as declarações feitas pelo delator, dizendo que foi relator da CPMI da Petrobras em 2014, que indiciou 53 pessoas. "Não pedi e não autorizei ninguém a pedir em meu nome nenhuma doação para minha campanha eleitoral em 2014 de quaisquer empresas que estivessem sendo investigadas por tal CPMI. Todas as doações feitas à campanha estão devidamente registradas no TSE conforme previa a legislação."


– Michel Temer (PMDB-SP), presidente da República. Pediu, segundo o delator, repasse de R$ 10 milhões.


Em nota divulgada pelo Palácio do Planalto, o presidente Michel Temer disse que repudia com veemência o que chamou de "falsas acusações" de Cláudio Melo Filho. Segundo Temer, as doações feitas pela construtora Odebrecht ao PMDB foram todas por transferência bancária e declaradas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A nota diz ainda que não houve caixa dois nem entrega em dinheiro a pedido do presidente.


– Moreira Franco (PMDB-RJ), secretário do PPI. Segundo o relator, pediu recursos para o PMDB, mas o recebimento foi feito através de Eliseu Padilha.


Moreira Franco disse que a acusação é mentirosa e afirmou que jamais falou sobre política ou recursos para o PMDB com Cláudio Melo Filho.


– Paes Landim (PTB-PI), deputado federal. Valor: R$ 100 mil não declarados e R$ 80 mil declarados.


O deputado Paes Landim disse que todas as doações que recebeu foram declaradas oficialmente e que jamais houve troca de favores entre ele e a Odebrecht.


– Paulo Henrique Lustosa (PP-CE), ex-deputado federal. Valor: R$ 100 mil não declarados e R$ 100 mil declarados.


Paulo Henrique Lustosa negou recebimento via caixa 2 e disse que todas as doações para suas campanhas foram legais.


– Paulo Magalhães Junior (PV-BA), vereador eleito de Salvador. Valor: R$ 50 mil não declarados.


O vereador eleito Paulo Magalhães Júnior afirmou que suas contas de campanha foram aprovadas. "Foi exatamente esse valor de R$ 50 mil que foi declarado à Justiça Eleitoral. Misturaram doação de campanha com propina." Ele ainda falou sobre o apelido: “O codinome de ‘goleiro’ foi por conta de uma relação pessoal que tínhamos porque jogávamos bola junto”.


– Paulo Skaf (PMDB-SP), presidente da Fiesp. Segundo o delator, a campanha de Skaf ao governo de São Paulo. Valor: R$ 6 milhões dos R$ 10 milhões negociados por Michel Temer.


O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, disse que nunca pediu e nem autorizou ninguém a pedir qualquer contribuição de campanha que não fosse regularmente declarada em suas prestações de contas e afirmou que todas elas foram aprovadas pela Justiça Eleitoral.


– Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado. Seria, segundo o delator, um dos beneficiários dos R$ 22 milhões repassados ao grupo do PMDB na Casa (doações declaradas e não declaradas).


Renan Calheiros disse que "jamais autorizou ou consentiu que terceiros falassem em seu nome em qualquer circunstância". O senador afirmou ainda que "não há chance de serem encontradas irregularidades em suas contas pessoais ou eleitorais". E que "essas contas já são investigadas há nove anos sem que nenhuma prova seja encontrada contra ele".


– Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara. Valor: R$ 600 mil, não determinados.


O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, negou com veemência ter participado de qualquer negociação com a Odebrecht. Ele disse que nunca recebeu vantagem indevida em troca de votações na Câmara e que todas as doações recebidas por ele foram legais e declaradas ao TSE.


– Romero Jucá (PMDB-RR), senador. Seria, segundo o delator, um dos beneficiários dos R$ 22 milhões repassados ao grupo do PMDB do Senado (doações declaradas e não declaradas).


Romero Jucá, líder do governo no Congresso, negou que recebesse recursos para o PMDB e disse que está à disposição da Justiça.


– Rui Costa (PT-BA), governador da Bahia. Teria recebido na campanha, de acordo com o delator, R$ 10 milhões a pedido de Jaques Wagner. Delator não determina se foi doação legal ou caixa 2.


A assessoria do governador da Bahia, Rui Costa, disse que enviaria nota comentando as acusações de Cláudio Melo Filho.

Palavras-chave: Odebrecht Delação Premiada Caixa 2 Políticos Doações Eleitorais Propina

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1 Comentários

Geovanny Ferreira Secretário12/12/2016 14:22 Responder

Colbert diz estar de consciência tranquila e vê equívoco em delação O vice-prefeito eleito de Feira de Santana, Colbert Filho, garante estar de consciência tranquila, quanto a citação de seu nome em delação premiada do ex-executivo da Odebrecht, Cláudio Melo Filho, como um dos políticos que teriam recebido dinheiro da empresa para uso não declarado em campanha eleitoral realizada em 2010 à Câmara dos Deputados. “Como bem diz o delator, ele nem me conhecia e eu nunca tive proximidade com a Odebrecht. Minhas contas daquela campanha foram aprovadas e todos os recursos recebidos declarados à justiça eleitoral”, afirma. Colbert afirma estar convicto de que existem equívocos nessas denúncias feitas através de delação premiada. "A ansiedade do delator, pelo êxito de sua colaboração no sentido de minimizar uma eventual condenação, provoca relatos confusos, imprecisos e muito provavelmente equivocados, que acabam envolvendo pessoas que não cometeram ilegalidades”, diz o ex-deputado federal. De acordo com o vice-prefeito eleito, certamente há quem tenha recebido recursos indevidamente, em campanhas eleitorais, não declarados à justiça eleitoral, “mas há, também, quem está sendo colocado no mesmo saco de maneira equivocada, talvez para engrossar uma lista e tornar a delação mais robusta do que ela é, especialmente com nomes, como o meu, que não tinham nenhum grau de relacionamento com a Odebrecht”. Para Colbert, é prematuro tirar conclusões, principalmente "condenar pessoas que tem uma história honrada e digna na vida pública com base em vazamento de delações sem a apresentação de provas". Necessário se faz, acredita Colbert, aguardar pelas investigações. “Uma delação é uma delação. Se trata do início de um processo de apuração de fatos, que podem ser confirmados ou não, diante do colhimento de provas, nesse caso ainda inexistentes”, observa. "Obviamente não posso falar pelos demais, mas no meu caso, específico, certeza absoluta: Os poucos recursos de que dispus foram totalmente declarados, não havendo, absolutamente, nenhum dinheiro indevido na minha modesta campanha". O executivo da Odebrecht, em sua delação vazada na imprensa e ainda não reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal como legitima, diz que teria obtido ajuda a Colbert atendendo a pedido do ex-ministro Geddel Vieira Lima com R$ 150 mil. Cláudio Melo Filho admite que não conhecia o político feirense. “Observe-se que ele admite que não tinha proximidade comigo. De fato eu não tinha, com ele ou qualquer outro diretor da empresa. E ainda diz que teria usado um intermediário para me ajudar financeiramente. Uma história um tanto confusa, que não se provará real ao final das investigações” Assessoria de Comunicação.